A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) manifestou apoio ao projeto de construção de um contorno rodoviário em Lucas do Rio Verde (MT), estimado em R$ 600 milhões, durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Mato Grosso (ALMT) no dia 26 de maio. A obra prevê um trecho alternativo de 28 quilômetros à BR-163, com início previsto para 2027 e conclusão até 2030 — mas moradores e representantes políticos cobram medidas emergenciais diante do risco cotidiano da travessia urbana.
O plenário da ALMT, com capacidade para 350 pessoas, ficou lotado pela segunda vez em menos de 30 dias, revelando a pressão crescente da população sobre o tema. Reuniram-se na ocasião representantes da ANTT, da concessionária Nova Rota do Oeste, vereadores e moradores do município, em debate que colocou frente a frente a solução estrutural de longo prazo e a urgência das demandas imediatas.
O projeto do contorno
Segundo Roberto Madureira, diretor da Nova Rota do Oeste, o contorno projetado terá 28 quilômetros de extensão e incluirá duas pontes e quatro interseções em desnível. A estimativa é de que a obra retire 80% dos caminhões pesados que atualmente cruzam o centro urbano de Lucas do Rio Verde — município que se consolidou como o maior polo graneleiro do Centro-Norte mato-grossense.
Margareth Gugelmin Okada, Superintendente de Infraestrutura Rodoviária da ANTT, endossou a viabilidade técnica do empreendimento durante a audiência. O investimento de R$ 600 milhões está condicionado ao cumprimento do cronograma de concessão da BR-163, que prevê o início das obras em 2027 e a entrega do contorno até 2030.
Uma segunda audiência pública está prevista para o dia 18 de junho, desta vez em Lucas do Rio Verde, para ampliar a participação da comunidade local no processo de licenciamento e debate sobre a obra.
Tensão entre longo prazo e urgência
A audiência expôs uma tensão central: enquanto o projeto do contorno representa uma solução definitiva para o gargalo logístico e de segurança, os moradores convivem diariamente com os riscos da passagem intensa de caminhões pesados pelas vias urbanas. O deputado estadual Cattani, presente na sessão, cobrou publicamente a adoção de medidas emergenciais enquanto o projeto de longo prazo não sai do papel.
A BR-163 é o principal corredor de escoamento da soja produzida no Mato Grosso — o maior estado produtor do grão no Brasil. O trecho urbano de Lucas do Rio Verde representa um dos maiores gargalos da rota, com impacto direto na logística de produtores e na cadeia exportadora. A concentração de veículos pesados no perímetro urbano compromete tanto a fluidez do tráfego quanto a segurança dos moradores.
Contexto da concessão
A BR-163 no trecho mato-grossense é administrada pela Nova Rota do Oeste sob contrato de concessão com a ANTT. A concessionária é responsável pela manutenção, melhorias e expansão da rodovia dentro dos parâmetros estabelecidos pelo contrato, que inclui o projeto do contorno como uma das obras previstas para a fase atual.
A Sinfra-MT (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso) participou da organização da audiência pública na ALMT, reforçando o envolvimento do governo estadual nas tratativas sobre o futuro da rodovia.
O que vem pela frente
Com o apoio técnico da ANTT formalizado e o projeto em fase de amadurecimento, o próximo passo é a audiência de 18 de junho em Lucas do Rio Verde, que deve pautar o licenciamento ambiental e os detalhes executivos da obra. O debate, no entanto, deverá continuar pressionado pela demanda por ações de curto prazo — seja em sinalização, controle de tráfego ou restrições de horário para caminhões pesados no perímetro urbano.
Para os moradores de Lucas do Rio Verde, a questão é objetiva: o contorno chega em 2030, mas os caminhões passam hoje.
Fontes: Sinfra-MT — audiência pública ALMT 26/05; ANTT — Margareth Gugelmin Okada (Superintendente de Infraestrutura Rodoviária); Nova Rota do Oeste — Roberto Madureira (diretor, projeto de 28 km).
Deixe um comentário