A Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá contabilizou 21.908 faltas em consultas especializadas nos dois Centros de Especialidades Médicas do município durante o primeiro semestre de 2026. O número consta de levantamento divulgado pela própria pasta e corresponde a um índice global de absenteísmo de 38,7% sobre as vagas ofertadas no período.
Somadas, as duas unidades disponibilizaram 56.592 consultas especializadas no semestre, segundo a Secretaria. Desse total, 21.908 atendimentos não foram realizados.
Os dois centros apresentam comportamentos muito diferentes. No CEM Centro, foram ofertadas 34.694 vagas, das quais 17.033 foram efetivamente utilizadas. A Secretaria informou que 9.936 consultas se perderam por ausência dos pacientes, o equivalente a 28,6% da capacidade da unidade.
No CEM Coxipó, a oferta foi de 21.898 vagas e os atendimentos realizados somaram 9.926. As faltas chegaram a 11.972, índice que a Secretaria calcula em 54,7% das vagas ofertadas. Ou seja, na unidade do Coxipó mais da metade das consultas abertas à população não foi utilizada.
Há uma diferença nos dados do CEM Centro que a Secretaria não explicou. Entre as 34.694 vagas ofertadas e as 17.033 realizadas existe uma distância de 17.661 consultas, mas apenas 9.936 aparecem atribuídas à ausência de pacientes. Restam 7.725 vagas cujo destino não foi informado pela pasta, se foram canceladas, remarcadas, não agendadas ou perdidas por outro motivo. O cálculo dessa diferença é nosso, feito a partir dos números oficiais. No CEM Coxipó a conta fecha: a subtração entre ofertadas e realizadas coincide exatamente com o total de faltas.
O levantamento também traz as médias do Sistema Nacional de Regulação, o SISREG, usado para agendar procedimentos na rede pública. Segundo a Secretaria, o sistema registra média de 35,4% de absenteísmo em consultas e 35,5% em exames.
Ao divulgar os dados, a Prefeitura de Cuiabá associou parte do problema à desatualização cadastral e reforçou a orientação para que os usuários mantenham o Cartão Nacional de Saúde em dia, de modo que as unidades consigam contato quando a consulta é marcada.
O que não foi informado
A Secretaria Municipal de Saúde não informou quantos pacientes estão hoje na fila de espera por consulta especializada em Cuiabá, nem qual o tempo médio de espera por especialidade. Também não divulgou quais especialidades concentram as maiores taxas de falta, o que impediria dimensionar onde o desperdício de vaga é maior.
A pasta não informou se há política de bloqueio ou de reagendamento automático para quem falta sem aviso, prática adotada por outras redes municipais, nem se pretende adotar confirmação ativa por telefone ou mensagem antes da data marcada.
Não foi informado o custo estimado das consultas não realizadas, nem se o material divulgado se refere a janeiro a junho de 2026 de forma fechada.
A reportagem verificou o texto oficial e registra que a publicação da Prefeitura não traz nenhum trecho entre aspas. Por isso, nenhuma declaração é atribuída nominalmente a gestores nesta matéria.
Com informações de: Prefeitura de Cuiabá, Secretaria Municipal de Saúde.
