A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT) deflagrou, na terça-feira (26), a Operação Silêncio Comprado no Hospital Municipal Euclides Horst, em Campo Novo do Parecis, no noroeste de Mato Grosso. A ação cumpriu 20 ordens judiciais e resultou na apreensão de R$ 109,9 mil em dinheiro vivo. A investigação apura corrupção no hospital e uma suposta tentativa de compra do silêncio de integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal, instaurada após a morte da jovem Larissa Pompermayer Ramos durante uma cesárea realizada na mesma unidade de saúde.
A operação foi confirmada por notas oficiais da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP-MT) e da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT), ambas divulgadas na terça-feira, 26 de maio de 2026.
A morte que desencadeou a investigação
O pano de fundo da operação é trágico. Larissa Pompermayer Ramos, jovem moradora de Campo Novo do Parecis, veio a óbito durante um procedimento de parto cesáreo realizado no Hospital Municipal Euclides Horst. O caso chocou a comunidade local e motivou a abertura de uma CPI pela Câmara Municipal da cidade, com o objetivo de apurar as circunstâncias da morte e eventuais irregularidades no funcionamento da unidade hospitalar.
A CPI, no entanto, não avançou sem obstáculos. De acordo com as investigações da PJC-MT, houve uma tentativa sistemática de interferir nos trabalhos da comissão por meio de pagamentos a seus integrantes — daí o nome escolhido para a operação: Silêncio Comprado.
Dinheiro vivo e ex-secretário no centro das apurações
Entre os alvos da operação está o ex-secretário municipal de Saúde de Campo Novo do Parecis. Segundo informações das autoridades, o ex-gestor é investigado por seu suposto envolvimento nos esquemas de corrupção que teriam comprometido a administração do hospital municipal e a tentativa de obstruir a CPI.
O valor apreendido — R$ 109,9 mil em espécie — chama a atenção pela forma como foi encontrado. A quantia em dinheiro vivo representa um indício relevante para os investigadores no mapeamento do fluxo de recursos irregulares na unidade de saúde pública do município.
Conforme apurou o Só Notícias, a polícia cumpriu as 20 ordens judiciais durante a manhã de terça-feira, em endereços ligados aos investigados no município.
O que é apurado
A PJC-MT investiga ao menos duas frentes distintas, que se intersecionam ao longo da apuração:
A primeira diz respeito à gestão financeira e assistencial do Hospital Municipal Euclides Horst. Os investigadores buscam identificar irregularidades na aplicação de verbas públicas destinadas à saúde do município, práticas que, segundo a polícia, podem ter contribuído para as condições em que Larissa Pompermayer Ramos foi atendida.
A segunda frente trata diretamente da corrupção passiva e ativa envolvendo membros da CPI municipal. A suspeita é de que integrantes da comissão teriam sido abordados com ofertas de vantagens financeiras para abrandar ou encerrar as investigações sobre a morte da jovem.
A combinação das duas frentes dá à Operação Silêncio Comprado um alcance que vai além da apuração de um caso isolado: trata-se, segundo as autoridades, de um esquema coordenado para proteger gestores locais às custas da transparência e da responsabilização pública.
Repercussão local
Campo Novo do Parecis é um município de médio porte no noroeste de Mato Grosso, com economia centrada no agronegócio. A morte de Larissa em uma cirurgia de rotina havia gerado comoção e desconfiança na população quanto à qualidade do atendimento hospitalar municipal. A CPI aberta pela Câmara era vista como um canal de resposta às famílias afetadas — e a tentativa de corrompê-la, portanto, representa um golpe adicional na confiança institucional local.
A divulgação da operação pela PJC-MT restabelece, ao menos formalmente, a pressão investigativa sobre o caso. As 20 ordens cumpridas incluem mandados de busca e apreensão. A polícia não descartou a possibilidade de novos desdobramentos, dependendo do material coletado durante as diligências.
Investigação em andamento
A SESP-MT e a PJC-MT não divulgaram, até o momento da publicação desta reportagem, o número de investigados formalmente, nem os detalhes completos dos mandados cumpridos. O caso segue sob sigilo parcial, conforme determinação judicial.
A Operação Silêncio Comprado é mais uma das ações da PJC-MT voltadas ao controle da gestão de recursos públicos no interior de Mato Grosso. A combinação de mortalidade hospitalar, corrupção e obstrução de investigação parlamentar coloca o caso em uma categoria de gravidade elevada — e com potencial de repercussão além das fronteiras do município.
O Registro do Dia acompanhará os desdobramentos da investigação.
Fontes: Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso (SESP-MT), Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT) e Só Notícias.
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