Cuiabá assina contrato de R$ 16,6 milhões de sistema de trânsito com vigência registrada de um único dia

Contratada é o Consórcio CMT, mesmo nome investigado pelo MP em 2015, agora com outro CNPJ; valor inicial aparece zerado no registro

Cuiabá assina contrato de R$ 16,6 milhões de sistema de trânsito com vigência registrada de um único dia
Sede administrativa em Cuiabá. Imagem de arquivo da Prefeitura de Cuiabá, de 18 de março de 2026, sem relação direta com o contrato citado. — Prefeitura de Cuiabá
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A Prefeitura de Cuiabá assinou um contrato de R$ 16.601.448,96 com o Consórcio CMT, Cuiabá Monitoramento de Trânsito, para fornecer, instalar, manter e operar o Sistema Integrado de Trânsito de Cuiabá. O registro foi localizado por este portal no Portal Nacional de Contratações Públicas e traz três pontos que precisam de explicação.

O primeiro é a vigência. O contrato nº 363, controle PNCP 03533064000146-2-000331/2026, foi assinado em 27 de agosto e registra início e fim no mesmo dia, 27 de agosto de 2026. Um único dia de vigência para um contrato cujo próprio objeto o descreve como de serviços contínuos.

O segundo é o valor inicial, lançado como zero, enquanto o valor global aparece como R$ 16.601.448,96, pago em parcela única. É a mesma inconsistência de preenchimento que este portal já registrou em outros contratos do município.

O terceiro é o nome da contratada. O objeto, transcrito do registro, é a “contratação de empresa especializada para prestação de serviços contínuos incluindo o fornecimento, instalação, manutenção, operação e apoio de todos os módulos componentes do Sistema Integrado de Trânsito de Cuiabá, Mato Grosso (SITC-MT) composto de hardwares e softwares”, para atender a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Segurança Pública. O processo é o 008/2026/PMC.

O nome Consórcio CMT já esteve no centro de uma apuração do Ministério Público de Mato Grosso. Em nota de esclarecimento publicada pela própria Prefeitura em 2 de dezembro de 2015, o município respondeu a procedimento investigativo do MPMT sobre a contratação do “Consórcio CMT (Cuiabá Monitoramento de Trânsito)”. A nota, redigida em terceira pessoa e sem nenhuma declaração, informava que a licitação decorreu do Termo de Ajustamento de Conduta nº 02/2011, assinado em 13 de julho de 2011 com a 6ª Promotoria de Justiça Civil, que houve o Pregão Presencial nº 019/2014 com quatro licitantes e sete rodadas de lances, que o consórcio era formado pela Serget Comércio, Construção e Serviços de Trânsito, como líder, e pela Perkons, e que o contrato foi assinado em 5 de junho de 2014. Aquele contrato era de R$ 39 milhões e previa 44 lombadas eletrônicas, 44 radares fixos, 55 detectores de avanço semafórico, 30 câmeras e uma central de controle, entre outros itens.

Aqui entra a ressalva mais importante desta matéria. O consórcio de 2014 aparece em base pública empresarial sob o CNPJ 20.655.625/0001-07, e o contratado de 2026 tem CNPJ 37.590.732/0001-99. São nomes iguais e cadastros diferentes. Este portal não afirma que se trata da mesma pessoa jurídica nem que haja qualquer irregularidade: registra a coincidência de nome e a diferença de CNPJ, e vai perguntar à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana quem são as empresas consorciadas hoje.

Por serem registros administrativos, os documentos de 2026 não contêm declarações. Não há fala de autoridade sobre o contrato.

O registro não informa qual modalidade licitatória originou o processo 008/2026/PMC, e este portal não localizou o edital no PNCP. Também não explica a vigência de um único dia, não justifica o valor inicial zerado, não lista quantos radares, lombadas, câmeras ou equipamentos o sistema prevê, e não informa o desfecho do procedimento aberto pelo Ministério Público em 2015.

Com informações de: Portal Nacional de Contratações Públicas e Prefeitura de Cuiabá.