Cuiabá inicia grupos reflexivos com nove homens autores de violência encaminhados pela Justiça

Programa tem 12 encontros sigilosos no Fórum até novembro e é bancado por emenda de R$ 420 mil

Cuiabá inicia grupos reflexivos com nove homens autores de violência encaminhados pela Justiça
Atividade da Secretaria Municipal da Mulher de Cuiabá. Imagem de arquivo da prefeitura, de 7 de julho de 2026, sem relação com os grupos reflexivos, que são sigilosos. — Prefeitura de Cuiabá
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Nove homens encaminhados pelas Varas de Violência Doméstica e Familiar começaram a participar, em Cuiabá, de um programa de grupos reflexivos para autores de violência contra a mulher. A prefeitura descreve a iniciativa como inédita no município.

O programa é conduzido pela Secretaria Municipal da Mulher e prevê 12 reuniões sigilosas, uma por semana, às terças-feiras, no Fórum de Cuiabá, seguindo até novembro. Uma segunda turma está prevista para começar ainda em setembro, com encontros às quartas-feiras.

A execução envolve a UFMT, a Fundação Uniselva, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso e o Fórum de Cuiabá. A formação dos facilitadores foi conduzida pelo professor e pesquisador da UFMT Alessandro Vinicius de Paula, em junho de 2026, e a equipe é composta por psicólogas e outros profissionais capacitados.

O financiamento vem de uma emenda parlamentar de R$ 420 mil, destinada pelo então vereador Fellipe Corrêa, com recursos para um ano de execução.

O eixo central declarado é a autorresponsabilidade, isto é, levar o participante a reconhecer a responsabilidade pelos próprios atos e romper padrões associados à violência. O objetivo declarado é reduzir a reincidência.

“Trabalhar também com os homens autores de violência é mais uma estratégia de atuação e representa um avanço para Cuiabá. O objetivo é reduzir a reincidência da violência doméstica por meio da reflexão sobre comportamentos violentos. A expectativa é que esses autores de violência se tornem mais conscientes sobre o impacto de suas atitudes”, disse a secretária municipal da Mulher, tenente-coronel Hadassah Suzannah.

“Trabalhamos com a mulher em várias frentes, na assistência social, na saúde, no atendimento psicológico, entre outros. Entretanto, é necessário trabalhar de forma mais ativa com os homens autores de violência”, afirmou a psicóloga da secretaria, Leandra Santos.

Ela acrescentou: “É uma forma de diminuir a reincidência e fazer com que saiam do grupo mais conscientes sobre autorresponsabilidade e sobre o que é ser homem sem recorrer à violência”.

Como o grupo é sigiloso, este portal não publica qualquer informação que permita identificar participantes ou vítimas, e a imagem que ilustra esta matéria é institucional, sem relação com os encontros.

A prefeitura não informou quantos homens a segunda turma terá nem a meta anual de atendidos, não esclareceu se a participação é condição de medida protetiva ou de pena e o que ocorre com quem falta, não disse de que ano é a emenda parlamentar nem por que Fellipe Corrêa é descrito como então vereador, não informou quanto dos R$ 420 mil já foi executado e em qual rubrica, não apresentou o número de casos de violência doméstica registrados em Cuiabá em 2026, base necessária para medir reincidência, e não indicou se há avaliação de resultado prevista.

Com informações de: Prefeitura de Cuiabá.