O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) informou nesta segunda-feira (16) que a segunda edição da Operação Mulher Segura já registrou 630 prisões nos primeiros 15 dias de execução em todo o país. Segundo a pasta, a mobilização ocorre nas 26 unidades da Federação e no Distrito Federal, com ações voltadas à prevenção do feminicídio, proteção das vítimas e responsabilização de agressores.
De acordo com o MJSP, a operação inclui cumprimento de mandados de prisão, acompanhamento de medidas protetivas, atendimento às vítimas e campanhas educativas. A iniciativa, coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), deve seguir até 31 de dezembro de 2026, dentro da estratégia federal de enfrentamento à violência de gênero.
Em Mato Grosso, o balanço nacional dialoga com uma pressão permanente sobre a rede local de proteção. A Polícia Civil mato-grossense informou no fim de 2025 que mais de 17 mil mulheres estavam amparadas por medidas protetivas no estado, com base em painel do Conselho Nacional de Justiça. O dado indica que a resposta institucional não depende apenas de prisões, mas também da capacidade de monitorar ordens judiciais, acolher vítimas e evitar a escalada da violência.
O governo estadual também anunciou, em Cuiabá, o programa Mato Grosso em Defesa das Mulheres, com a previsão de implantação de uma Delegacia da Mulher com atendimento 24 horas em Várzea Grande e criação de novas unidades especializadas em Lucas do Rio Verde e Sorriso. A ampliação da estrutura é tratada como um passo necessário para reduzir vazios de atendimento fora da capital.
Na prática, a leitura local do anúncio federal passa por uma pergunta objetiva: se a operação nacional mede prisões e ações ostensivas, Mato Grosso precisa mostrar como isso se traduz em proteção cotidiana, especialmente no cumprimento de medidas protetivas, na resposta rápida a reincidências e no acesso das vítimas aos canais de denúncia.
Mulheres em situação de violência podem buscar orientação pelo Ligue 180, canal nacional gratuito de atendimento, além de procurar a polícia em casos de urgência e a rede local de assistência. O desafio, para além da estatística, é fazer com que a proteção chegue antes do desfecho mais grave.
Fontes oficiais: MJSP; PJC-MT; Prefeitura de Cuiabá; Ministério das Mulheres.