A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, iniciou nesta terça-feira (14) a operação Censo Real, ação conjunta com o Governo de Mato Grosso para produzir um diagnóstico atualizado da população em situação de rua no município. O levantamento busca identificar o perfil, as necessidades e o número de pessoas nessa condição, subsidiando a ampliação das políticas de acolhimento, assistência social, saúde e reinserção.
A iniciativa reúne equipes da Prefeitura e do Estado — pelas secretarias de Segurança Pública (Sesp) e de Assistência Social e Cidadania (Setasc) —, além do Ministério Público e do Poder Judiciário. Na primeira etapa, quatro equipes atuaram simultaneamente na Praça do Porto, na Rodoviária, no Morro da Luz e na Praça Ipiranga. Na quarta-feira (15), os trabalhos seguiram na Praça Cultural do CPA II e nos bairros Pedregal e Leblon.
Segundo a secretária municipal Hélida Vilela, o município já acompanha essa população, mas o Censo Real permitirá um levantamento individualizado e mais atualizado. “Nosso cadastro é atualizado a cada seis meses, porém queremos intensificar esse acompanhamento, realizando-o de forma quadrimestral. Assim, teremos números mais precisos para desenvolver novas políticas públicas em conjunto com o Estado”, destacou.
Atualmente, a rede municipal de acolhimento tem capacidade para 350 vagas, distribuídas entre a Associação Terapêutica de Apoio às Pessoas, o Abrigo do Porto, o Abrigo Guia e a unidade Miraglia — esta última em reforma. Levantamentos apresentados em audiência pública indicam que a capital tem cerca de 1,8 mil pessoas em situação de rua, número que cresceu de forma acentuada na última década. O diagnóstico deve dimensionar a necessidade de ampliação da estrutura, sobretudo para quem precisa de tratamento para dependência química.
A secretária de Estado de Segurança Pública, coronel Susana Tamanho, ressaltou que a ação integra assistência social e segurança, já que muitas dessas pessoas vivem em extrema vulnerabilidade e ficam expostas à criminalidade. A pasta municipal informou ainda que, entre janeiro e junho, viabilizou 170 passagens interestaduais e intermunicipais para pessoas em situação de vulnerabilidade retornarem ao convívio familiar. Concluído o levantamento, Estado e município devem firmar convênio para apoiar financeiramente a ampliação da rede de acolhimento.
Imagem ilustrativa: Paixao 677 / Wikimedia Commons (CC0)
