Prefeitura de Cuiabá demole cerca de oito edificações em área de nascentes após recomendação do Ministério Público

Operação ocorreu na quinta-feira em loteamento com nascentes e minas d’água; laudo da Defesa Civil aponta alto risco hidrológico

Prefeitura de Cuiabá demole cerca de oito edificações em área de nascentes após recomendação do Ministério Público
Operação de remoção de edificações em área de nascentes, em Cuiabá — Secom/Prefeitura de Cuiabá

A Prefeitura de Cuiabá realizou na manhã de quinta-feira (27) uma operação de demolição no Loteamento Residencial Ilza Terezinha Picoli Pagot e no entorno, cumprindo recomendações e notificações do Ministério Público de Mato Grosso. A ação foi coordenada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública, com apoio da Polícia Militar.

Segundo a publicação oficial, cerca de oito edificações desocupadas foram demolidas — construções em alvenaria, muros e obras em andamento. A administração municipal afirma que não havia moradores no local e que nenhuma família foi retirada de residência habitada.

Nascentes e risco hidrológico

A área tem nascentes, minas d’água e solo arenoso, e é classificada como Área de Preservação Permanente. Conforme a Prefeitura, laudo da Defesa Civil Municipal classificou a região como de alto risco hidrológico, com potencial de erosões e alagamentos — condição que, segundo o texto, também restringe eventual regularização fundiária.

A publicação informa que, em caso de famílias em situação de vulnerabilidade atingidas por ações desse tipo, o atendimento se dá pelo Comitê Intersetorial de Gestão de Desocupações de Áreas Públicas (CIGDAP), com participação das secretarias de Assistência Social e de Habitação.

A fala do prefeito

O prefeito Abilio Brunini afirmou: “Não invadam área pública, privada, área de proteção permanente, área de praça, qualquer equipamento público ou privado. Se invadir, infelizmente, teremos de agir para proteger o direito à propriedade e o bem público”. Sobre eventual presença de moradores, disse: “Se tivesse alguma família dentro, ela teria o apoio”.

O que a Prefeitura não informou

A publicação não traz o número exato de edificações — usa a expressão “cerca de oito” —, não informa a data, o número ou o teor literal da recomendação do Ministério Público, não esclarece se existe ação judicial sobre a área, não identifica os ocupantes ou proprietários das construções, não diz se houve resistência durante a operação, não divulga o custo da ação e não informa quantas pessoas foram encaminhadas ao CIGDAP.

O Registro do Dia não obteve, até a publicação desta matéria, manifestação do Ministério Público estadual nem de eventuais ocupantes da área.

Com informações de: Prefeitura Municipal de Cuiabá (publicação oficial de 27/08/2026, assinada por Ulisses Lalio).