Queimadas, clima instável e risco de “super El Niño” colocam saúde de Várzea Grande em alerta

Fumaça de queimadas encobre área urbana
Imagem ilustrativa: HVL / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
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Mudanças bruscas de temperatura, baixa umidade, fumaça de queimadas e até chuva fora de época têm testado a imunidade dos várzea-grandenses — em especial de crianças e idosos — e já se refletem no aumento da procura por atendimento para problemas respiratórios nas unidades de saúde do município. A previsão para os próximos meses é de estiagem severa, com mais focos de incêndio e atraso no retorno das chuvas.

A Secretaria Municipal de Saúde orienta medidas simples para atravessar o período: manter ambientes umidificados e ventilados, boa hidratação, lavagem nasal com soro fisiológico e, principalmente, o cartão de vacina em dia. A imunização evita agravamentos das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs), complicações severas de infecções como influenza, vírus sincicial respiratório e Covid-19.

“As crianças e os idosos merecem uma atenção especial porque apresentam maior risco de desenvolver complicações, principalmente quando já possuem doenças pulmonares, cardíacas ou baixa imunidade”, explica a médica clínica geral Thatiane Carvalho Moreira, da UBS Binoca Maria da Costa, no bairro da Manga. Ela orienta que quadros leves — coriza, obstrução nasal, febre baixa, tosse — devem ser atendidos nas UBSs, reservando a UPA para sinais de agravamento, como dificuldade respiratória, dor ao respirar e febre alta persistente.

As doses contra influenza estão disponíveis nas 25 UBSs do município para os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, que incluem crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos, gestantes, professores e pessoas com comorbidades. “A vacinação evita complicações, reduz internações e pode prevenir casos mais graves. É gratuita e salva vidas”, reforça a secretária de Saúde, Valéria Nogueira.

O cenário pode se agravar com o chamado “super El Niño”. Segundo o Instituto ClimaInfo, modelos apontam para 2026 a possibilidade de anomalia acima de 2°C na temperatura do Pacífico equatorial — patamar atingido apenas três vezes nos últimos 140 anos. Para o Centro-Oeste, o fenômeno tende a atrasar o retorno das chuvas e prolongar a estiagem.

Imagem ilustrativa: HVL / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)