PERFIL — Há um tipo de trajetória que Mato Grosso reconhece de imediato: a de quem chegou de fora, construiu no setor produtivo e virou nome do estado. É a história de Reinaldo Morais, anunciado na quinta-feira (13) como candidato a vice-governador na chapa do senador Wellington Fagundes (PL).
Nascido em Maringá, no Paraná, em dezembro de 1970, Morais fez carreira em Mato Grosso e é hoje um dos maiores produtores de suínos do estado, à frente da Suinobras. O apelido que carrega no estado inteiro — “Rei do Porco” — começou como brincadeira do meio rural e virou credencial: em um estado que se acostumou a exportar proteína animal para o mundo, ser o “rei” de uma das cadeias mais exigentes do agronegócio não é apelido pequeno.
O tamanho do que construiu
O patrimônio apareceu em número público em 2020, quando disputou o Senado. Na declaração entregue à Justiça Eleitoral, Morais informou R$ 158.211.433,60 em bens — o maior valor entre os candidatos daquele pleito em Mato Grosso.
Também foi dele o maior aporte da própria campanha: dos R$ 740,9 mil gastos, R$ 288,8 mil saíram do bolso do candidato, 36,89% do total. É um detalhe que diz algo sobre o personagem: ele bancou a própria disputa.
O traço que Morais costuma destacar, porém, não é o balanço. É a formação. Escritor e palestrante, é autor de “Segredos de Pai para Filho” e frequenta conferências cristãs voltadas ao público masculino, onde fala sobre paternidade, trabalho e transmissão de valores entre gerações. É um discurso que combina com o eleitorado que representa: o produtor rural que quer ser lido como homem de família antes de ser lido como homem de negócios.
Vinte e dois anos de vida pública
Ao contrário do que se costuma dizer, Morais não é um empresário que entrou na política em 2020. Os registros da Justiça Eleitoral mostram uma trajetória que começa duas décadas antes, ainda no Paraná: candidato a vice-prefeito de Maringá em 2004 e a deputado estadual paranaense em 2006.
A estreia em Mato Grosso veio em 2020, na eleição suplementar para o Senado — o pleito extraordinário aberto pela cassação da senadora Selma Arruda. Candidato pelo PSC, à frente da coligação “Muda Mato Grosso” (PSC/PRTB), somou 36.545 votos em uma disputa com onze concorrentes.
A bandeira central daquela campanha era a industrialização de Mato Grosso como caminho para emprego e renda: a tese de que o estado não pode se contentar em embarcar grão e boi in natura enquanto o valor agregado fica em outro lugar. É uma pauta que ele manteve e que agora chega à chapa majoritária.
O articulador
Entre 2020 e 2026, Morais trocou a exposição da urna pela engenharia dos bastidores — e foi aí que sua ficha política ganhou peso.
Em 2022, assumiu a coordenação da campanha de reeleição de Jair Bolsonaro em Mato Grosso, um dos estados de melhor desempenho do então presidente no país. No mesmo ciclo, foi apontado pelo portal RDNews como principal articulador da efetivação de Gilberto Cattani como deputado estadual na Assembleia Legislativa — trabalho de bastidor que consolidou sua reputação de operador capaz de entregar resultado.
Foi essa combinação — capital próprio, base no agro e capilaridade no campo conservador — que o levou ao nome final da chapa.
O convite
O anúncio saiu na tarde de 13 de agosto, com aval do núcleo mais alto do bolsonarismo: a indicação teve o endosso da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em declaração reproduzida pelo portal Só Notícias, ele relatou assim o convite:
“Michelle falou: ‘Você é uma pessoa de confiança da nossa família, nós temos muita consideração por você’.”
Ao lado de Wellington Fagundes — senador com décadas de estrada e trânsito consolidado nos municípios —, a chapa aposta em uma divisão clara de papéis: a experiência institucional do cabeça e a linguagem do setor produtivo do vice.
O que ele leva para a disputa
Morais entra em 2026 oferecendo ao eleitorado mato-grossense uma biografia que dispensa tradução: alguém que gerou emprego antes de pedir voto, que conhece por dentro a cadeia que sustenta a economia do estado e que fala a língua do produtor rural sem intérprete.
O registro da chapa vai à Justiça Eleitoral até esta sexta-feira (15). Se a credencial se converte em voto, as urnas de outubro dirão.
Nota da Redação: este texto é um perfil biográfico, gênero distinto da cobertura factual do dia. Os dados de patrimônio, filiação partidária e histórico eleitoral citados foram conferidos na base DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral em 14 de agosto de 2026. Até o fechamento desta edição, o registro da chapa de Wellington Fagundes ainda não havia sido protocolado, e a legenda pela qual Reinaldo Morais concorrerá só será oficial após o protocolo.
