GreenFarm vira vitrine de investimentos do agro em MT

Fazenda histórica em Mato Grosso
Fazenda histórica em Mato Grosso. Foto: autor desconhecido / Wikimedia Commons — CC0

A GreenFarm 2026, realizada entre 27 e 30 de maio no Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá, reforçou nesta semana o uso das grandes feiras do agro como espaço de captação de negócios e investimentos em Mato Grosso. Na abertura, segundo a Prefeitura de Primavera do Leste, o evento reuniu representantes de 15 países e serviu também como vitrine institucional para municípios que tentam ampliar conexões comerciais dentro e fora do estado.

Mais do que uma programação voltada à exposição de máquinas, serviços e tecnologia, a feira ganhou peso econômico por concentrar rodadas de negócios, debates sobre crédito, segurança jurídica, fertilizantes e oportunidades internacionais. A presença de lideranças empresariais, investidores e autoridades públicas ajudou a transformar Cuiabá, ainda que temporariamente, em um ponto de encontro entre produção, serviços e articulação política do agronegócio.

Um dos sinais mais claros desse movimento veio da participação de prefeituras interessadas em vender potencial econômico, infraestrutura e capacidade de atrair empresas. Primavera do Leste, por exemplo, informou que levou ao evento sua equipe de desenvolvimento econômico para divulgar o município e ampliar contatos com empresários, investidores e representantes de câmaras de comércio. O gesto mostra que, em Mato Grosso, a disputa por capital privado e novos projetos produtivos já não passa apenas por incentivos fiscais, mas também por presença estratégica em ambientes de negócios.

A GreenFarm também ajuda a reposicionar Cuiabá nesse circuito. Embora a força produtiva do agro mato-grossense esteja espalhada pelo interior, a capital concentra serviços, representação institucional e parte relevante da interlocução entre setor privado e poder público. Quando uma feira desse porte atrai expositores, municípios e delegações estrangeiras, o efeito econômico vai além do evento em si e reforça a cidade como hub de conexões para a cadeia agroindustrial.

Nos números da feira, porém, é preciso separar projeção de resultado efetivo. A organização divulgou, antes da abertura, expectativa de mais de 150 expositores e 100 palestrantes, enquanto reportagem do Canal Rural Mato Grosso registrou mais de 180 expositores e marcas já na largada do evento. Já os dados de negócios fechados ainda não foram consolidados para a edição de 2026. O histórico divulgado pela própria GreenFarm aponta mais de R$ 100 milhões movimentados em 2024 e cerca de R$ 200 milhões em 2025, mas esses valores se referem às edições anteriores e não podem ser tratados como saldo confirmado deste ano.

Sem um balanço final de contratos assinados, o dado mais concreto até aqui é o reposicionamento da feira como plataforma de visibilidade, relacionamento e prospecção. Para a economia de Mato Grosso, isso importa porque mostra um agro que tenta vender mais do que produção primária: quer atrair investimento, serviços, tecnologia e presença internacional a partir do território.

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