Controladoria de Cuiabá abre auditoria sobre cinco anos de contas de luz de vias internas de condomínios

Prefeitura diz que a irregularidade apareceu na troca de lâmpadas por LED e que o material será enviado ao Ministério Público Estadual.

Controladoria de Cuiabá abre auditoria sobre cinco anos de contas de luz de vias internas de condomínios
Imagem divulgada pela Prefeitura de Cuiabá na publicação sobre a auditoria da iluminação em condomínios, em 23 de setembro. — Divulgação/Prefeitura de Cuiabá

A Prefeitura de Cuiabá instaurou auditoria, por meio da Controladoria-Geral do Município, para apurar pagamentos de energia elétrica de iluminação em vias internas de condomínios fechados nos últimos cinco anos. A informação foi divulgada pela administração municipal em 23 de setembro.

Segundo a Prefeitura, os valores apurados serão encaminhados ao Ministério Público Estadual para que o município busque o ressarcimento aos cofres públicos. A publicação oficial não informa quanto teria sido pago de forma indevida, quantos condomínios estão envolvidos nem em que ano a cobrança passou a ser lançada contra o município.

Como a situação foi identificada

De acordo com a administração, o caso apareceu durante trabalho técnico da Empresa Cuiabana de Limpeza Urbana (Limpurb) para mapear e substituir lâmpadas antigas por tecnologia LED. Nesse levantamento, conforme a Prefeitura, os técnicos constataram que a iluminação de vias internas de condomínios estava sendo faturada ao município.

A Prefeitura sustenta que a prática contraria o artigo 189 da Resolução nº 1.000/2021 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que veda o enquadramento de vias internas de condomínio na classe de iluminação pública. Ainda segundo o município, nesses casos a relação de fornecimento é exclusiva entre a concessionária Energisa e os próprios condomínios.

Suspeita de inconsistência documental

A administração municipal afirma que, no levantamento, a equipe identificou inconsistências em documentos e suspeita de falsificação de assinatura de gestores, e que todo o material auditado será remetido ao Ministério Público Estadual. A Prefeitura não nomeou nenhuma pessoa, não informou a quais gestões se refere e não apontou período específico dessas supostas assinaturas.

Não há, na publicação oficial, decisão administrativa ou judicial que confirme a suspeita, e ninguém foi responsabilizado até a divulgação do caso. Como nenhum nome foi tornado público pela Prefeitura, não houve parte identificada a ser procurada pela reportagem para apresentar defesa.

Prefeito nega criação de taxa

O prefeito Abilio Brunini afirmou, em declaração reproduzida pela Prefeitura, que nenhuma taxa está sendo criada ou aplicada e que o município não está cobrando nada dos condomínios. Ele sustentou ainda que dinheiro público não pode pagar conta de energia dentro de propriedade privada e que a medida cumpre a legislação federal e municipal. A reportagem manteve o discurso indireto porque a íntegra das frases não pôde ser confirmada palavra por palavra na página oficial.

A Prefeitura não informou prazo para a conclusão da auditoria nem se já existe processo administrativo aberto contra servidores. Também não consta na publicação se a concessionária foi notificada, se houve pedido de reclassificação das unidades consumidoras ou se algum condomínio foi comunicado. O município não divulgou o número do processo da auditoria.

Com informações de: Prefeitura de Cuiabá; Controladoria-Geral do Município de Cuiabá; Resolução nº 1.000/2021 da ANEEL.