Operação Tu Quoque: PM de MT é preso suspeito de chefiar esquema de roubo de 1 tonelada de drogas entre PCC e CV

Philippe Thiago Figueiredo é acusado de liderar grupo que interceptava cargas do PCC na fronteira e repassava ao Comando Vermelho na Grande Cuiabá

Fachada do 1º Batalhão da Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT) em Cuiabá
Fachada do 1º Batalhão da Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT) em Cuiabá (Foto: Mateus Hidalgo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5 BR))

Um policial militar da ativa foi preso nesta terça-feira (27) em Cuiabá durante a Operação Tu Quoque, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso (PCMT). Philippe Thiago Figueiredo é apontado como o chefe de um grupo criminoso especializado em interceptar cargas de entorpecentes do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de fronteira e repassá-las ao Comando Vermelho (CV) na região metropolitana da capital mato-grossense.

As investigações indicam que a organização era responsável pelo desvio de aproximadamente 1 tonelada de drogas — parte do fluxo de entorpecentes que transita pela fronteira mato-grossense com destino a outros estados. O esquema consistia no roubo das cargas do PCC durante o transporte, com posterior venda ao CV, rival histórico da facção paulista.

A operação

A ação policial foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), com apoio de delegacias especializadas da PCMT. As prisões foram autorizadas por decisão judicial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com mandados cumpridos em endereços ligados ao suspeito na capital.

O nome da operação — Tu Quoque, expressão latina que significa “você também” — é uma referência direta ao papel do policial no esquema: um agente do Estado suspeito de se voltar contra a lei que deveria proteger.

PM na corporação

Philippe Thiago Figueiredo servia na Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT) na época da prisão. A cúpula da corporação foi comunicada sobre a detenção e deverá se pronunciar sobre as medidas administrativas e disciplinares cabíveis. O Comando-Geral da PMMT ainda não divulgou posição oficial sobre o caso.

A prisão de um policial militar suspeito de coordenar o desvio de cargas de entorpecentes de uma das maiores organizações criminosas do país representa um caso de alta gravidade para as forças de segurança do estado, que enfrentam pressão crescente pelo controle do tráfico nas fronteiras do Centro-Oeste.

PCC, CV e a fronteira de Mato Grosso

Mato Grosso ocupa posição estratégica nas rotas do tráfico internacional de drogas, fazendo fronteira com Bolívia e Paraguai — dois dos principais corredores de cocaína e pasta base da América do Sul. O PCC mantém forte presença no estado, especialmente nos eixos das rodovias BR-163 e BR-364, utilizadas para o escoamento de entorpecentes rumo ao Sudeste e ao mercado externo.

A atuação do CV na Grande Cuiabá vem crescendo nos últimos anos. A tensão com o PCC pela disputa de rotas e pontos de venda é apontada por investigadores como um dos vetores da violência na região metropolitana. O suposto esquema liderado pelo PM explorava essa rivalidade: roubava as cargas do PCC durante o transporte e as revendia ao CV, embolsando o lucro do intermediário.

Próximos passos

O preso foi encaminhado ao sistema prisional após a lavratura do auto de prisão em flagrante. O MPMT deve apresentar denúncia formal dentro do prazo estabelecido pela Justiça. As investigações continuam abertas para identificar outros integrantes da organização criminosa.

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