O senador Wellington Fagundes (PL) lidera a corrida ao Palácio Paiaguás com 27% das intenções de voto, contra 20% do governador em exercício Otaviano Pivetta (Republicanos) e 14% do senador Jayme Campos (União Brasil), segundo pesquisa MT Dados divulgada nesta semana. O levantamento foi realizado entre 12 e 17 de maio de 2026, com 2.000 entrevistados e margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Em cenário de segundo turno simulado diretamente entre Wellington e Pivetta, a vantagem do senador sobe: 35% a 28%, diferença de sete pontos, acima da margem de erro, sugerindo que a disputa final deverá ser entre os dois pré-candidatos mais bem posicionados.
Por que Wellington cresce sem estar em Cuiabá
Wellington Fagundes é senador por Mato Grosso há quatro mandatos consecutivos, com mandato atual válido até 2027. A candidatura ao governo ainda não foi oficializada — as convenções partidárias só ocorrem a partir de julho — mas o senador mantém agenda intensa no interior do estado, onde concentra sua base histórica. Aliados apontam que sua capilaridade nos municípios do médio e norte mato-grossense explica a liderança mesmo sem presença cotidiana na capital.
O PL mato-grossense conta com uma das bancadas mais coesas da Assembleia Legislativa estadual e tem respaldo da estrutura nacional do partido, alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que amplifica a visibilidade de Fagundes no eleitorado mais conservador da capital e do interior.
A máquina nas mãos de Pivetta
Pivetta assumiu o governo estadual em março de 2026 após o afastamento definitivo de Mauro Mendes e chegou ao Paiaguás sem disputar eleição — situação inédita no estado desde 1994. A trajetória tem dois lados: de um, o governador em exercício acumula visibilidade de gestor e tem à disposição o aparelho do estado para iniciar obras e anúncios; de outro, não carrega o capital eleitoral construído em votação própria.
Nos últimos dois meses, o governo publicou um volume expressivo de convênios com municípios e ampliou a presença de secretários estaduais em eventos no interior — estratégia interpretada por analistas como parte do esforço de Pivetta para converter gestão em intenção de voto antes do período eleitoral formal. O Republicanos, seu partido, já sinalizou apoio à candidatura.
Jayme Campos e o campo do centro
Com 14%, o senador Jayme Campos (União Brasil) ocupa a terceira colocação. Campos presidiu a Associação dos Municípios de Mato Grosso e tem trânsito consolidado no chamado “MT do agro”, onde o União Brasil mantém estrutura relevante junto a prefeitos e lideranças rurais.
Analistas não descartam que Campos possa crescer à medida que a campanha avançar, sobretudo se conseguir consolidar o apoio de prefeitos do interior — grupo historicamente decisivo nas eleições estaduais mato-grossenses.
Eleição sem candidato da situação pela primeira vez em três décadas
Outubro de 2026 marcará a primeira disputa ao governo de Mato Grosso desde 1994 sem um candidato que venha diretamente da situação — ou seja, sem um titular cumprindo o segundo mandato e transferindo apoio a um sucessor natural. A ausência desse padrão cria um campo aberto, mas também impõe desafios: nenhum dos três líderes da pesquisa tem votos de governador como referência, e a eleição deverá ser decidida em segundo turno, segundo a projeção da pesquisa MT Dados.
O levantamento foi publicado originalmente pela Folha de Mato Grosso e repercutiu na CNN Brasil.
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