Presidente da Câmara de Várzea Grande acusa Prefeitura de blindagem por decreto e dá 48 horas para respostas

Wanderley Cerqueira afirma que ato transfere ao secretário de Governo o dever de responder requerimentos; número do decreto não consta na publicação

Presidente da Câmara de Várzea Grande acusa Prefeitura de blindagem por decreto e dá 48 horas para respostas
Vereador Wanderley Cerqueira durante sessão na Câmara Municipal de Várzea Grande. Foto oficial do Legislativo. — Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Várzea Grande
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O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), afirmou em sessão ordinária de terça-feira, 15 de setembro, que a Prefeitura editou decreto transferindo ao secretário de Governo a responsabilidade de responder aos requerimentos do Legislativo. A matéria publicada pela própria Câmara trata o ato como decreto de blindagem, expressão que aparece no título e no corpo do texto da Casa.

O número do decreto não consta na publicação da Câmara, que informa apenas que a Prefeitura editou o ato. A data e a ementa também não são citadas.

Wanderley anunciou que vai notificar a prefeita, por meio da Procuradoria da Casa, com prazo de 48 horas para responder aos requerimentos atrasados. A publicação não informa quantos requerimentos estão pendentes, de quais vereadores, desde quando, nem se a notificação já foi protocolada e a partir de quando corre o prazo.

Na mesma sessão, o presidente tratou da reforma do prédio da Câmara, obra de R$ 3,2 milhões em 4,7 mil metros quadrados. Sobre o custeio, a publicação cita R$ 12 milhões viabilizados junto ao Governo do Estado, R$ 1 milhão de emenda do senador Jayme Campos e R$ 854 mil devolvidos do orçamento da própria Câmara. O texto afirma ainda que a empresa que executa a obra estaria há oito meses sem receber repasses, sem identificar a empresa nem o número do contrato.

O presidente comparou a situação com a obra do telhado do Pronto-Socorro Municipal, de R$ 12,7 milhões, afirmando que a reforma não foi concluída e que o banheiro da Sala Vermelha está interditado. A vereadora Gisa Barros também é citada na publicação.

Esta reportagem verificou os valores em duas leituras independentes do texto da Câmara, com resultado idêntico. As falas atribuídas ao presidente não puderam ser confirmadas como declarações literais e por isso não são reproduzidas entre aspas. A expressão decreto de blindagem é usada aqui como termo empregado pela própria Câmara em seu título, não como citação do vereador.

A publicação é unilateral, produzida pela assessoria do Legislativo. A Prefeitura de Várzea Grande não se manifesta no texto, e o nome da prefeita sequer é mencionado. A reportagem procurou a Prefeitura para apresentar sua versão sobre o decreto, sobre os requerimentos e sobre os repasses à empresa que executa a reforma da Câmara, e não obteve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.

A Câmara não informou o teor do decreto que motivou a acusação, o que impede aferir se o ato de fato altera a autoridade responsável por responder ao Legislativo ou se apenas centraliza o trâmite administrativo das respostas.

A publicação da Câmara é de 16 de setembro, às 7h45, assinada por Kelly Carolina da Silva.

Com informações de: Câmara Municipal de Várzea Grande, publicação de 16 de setembro de 2026.