O Consultório na Rua de Cuiabá registrou 4.714 atendimentos a pessoas em situação de rua entre 23 de janeiro e 23 de setembro deste ano, segundo balanço divulgado pela Prefeitura de Cuiabá em 24 de setembro. No mesmo período, 1.907 pessoas foram cadastradas no serviço, que é vinculado à Secretaria Municipal de Saúde.
Conforme os dados da secretaria, 3.665 atendimentos foram feitos a homens e 1.049 a mulheres. As duas parcelas são informadas separadamente pela Prefeitura, referem-se a grupos distintos e, somadas, correspondem ao total de 4.714 atendimentos divulgado no balanço (soma nossa). A faixa etária com maior número de atendimentos é a de 40 a 64 anos, ainda de acordo com a secretaria.
O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, com duas equipes em campo. Segundo a Prefeitura, o atendimento é itinerante: as equipes se deslocam até os pontos onde a população em situação de rua se concentra, em vez de aguardar a procura espontânea por uma unidade de saúde.
O que as equipes oferecem
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o Consultório na Rua realiza consultas, curativos, testes rápidos, busca de casos de tuberculose, acompanhamento de tratamentos em curso e distribuição de insumos de prevenção. As equipes também fazem encaminhamentos para unidades da rede municipal de saúde e para serviços da assistência social.
A composição das equipes, conforme a Prefeitura, reúne enfermeiros, médicos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, psicólogos e profissionais de saúde bucal.
A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, afirmou, em declaração reproduzida pela Prefeitura, que o Consultório na Rua é uma estratégia para garantir que o cuidado chegue a quem tem mais dificuldade de acesso e que a equipe se desloca até onde essa população está. A secretária adjunta Cinara Brito disse que o formato permite acompanhar os usuários no próprio território, identificar demandas e construir os encaminhamentos necessários. A reportagem optou pelo discurso indireto porque a íntegra das falas não pôde ser confirmada palavra por palavra na página oficial.
Lacunas do balanço
A publicação da Prefeitura não informa o custo do serviço, o número total de profissionais envolvidos, quantos encaminhamentos resultaram em internação ou em ingresso em serviços de acolhimento, nem em quais regiões da capital as equipes atuaram com mais frequência. Também não há comparação com o mesmo período de 2025, o que impede medir se houve aumento ou queda na demanda.
O balanço não detalha, ainda, quantas das 1.907 pessoas cadastradas seguem em acompanhamento ativo, nem quantos atendimentos foram repetidos para a mesma pessoa, de modo que o número de 4.714 não equivale a 4.714 pessoas distintas.
Com informações de: Prefeitura de Cuiabá; Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá.
