O Ministério da Educação (MEC) aprovou a criação do curso de Licenciatura Intercultural Indígena no Câmpus do Araguaia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), unidade Barra do Garças, informou a UFMT nesta terça-feira (20). A formação de professores indígenas em nível superior será realizada, inicialmente, com estudantes do povo A’uwẽ Uptabi (Xavante). Segundo a universidade, a licenciatura oferecerá 50 vagas para a formação de professores Xavante.
O curso será oferecido pelo Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) e, segundo a UFMT, é o primeiro desse tipo na região. O projeto começou a ser desenvolvido há vários anos, mas a implantação dependia de recursos financeiros. Uma articulação entre o movimento indígena e o MEC garantiu os recursos necessários para o início das atividades, segundo a universidade. A UFMT não informou o valor desses recursos.
A formação é voltada a docentes que atuarão nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, sem restrição a aldeias ou terras indígenas específicas. O ingresso ocorrerá por processo seletivo, com requisitos como o Ensino Médio completo e a comprovação de pertencimento a um povo indígena.
Com duração de quatro anos, a licenciatura terá duas habilitações: Linguagens e Humanidades; e Ciências da Natureza e Matemática. A formação inclui ainda pesquisa e extensão, estágio supervisionado e produção de materiais didáticos voltados à realidade das comunidades. O curso adota a pedagogia da alternância, com o tempo escola, de aulas presenciais concentradas na unidade Barra do Garças, e o tempo comunidade, com estágios e atividades de extensão e pedagógicas dentro das aldeias.
A direção do ICHS já começou a fazer as primeiras visitas às aldeias para a implementação do curso. “Essas visitas são fundamentais para aproximarmos a Universidade das comunidades e conhecermos de perto suas realidades, demandas e necessidades”, explica a diretora do instituto, professora Ranielle Sousa.
Para o coordenador do Território Etnoeducacional Xavante, Xisto Tserenhiru, a criação da licenciatura é uma conquista após muitos anos de luta. Segundo ele, as articulações começaram em 2009, quando lideranças Xavante passaram a buscar uma formação superior específica para os professores indígenas. “Antes, muitos professores precisavam deixar suas famílias e viajar para outras cidades e até outros estados para conseguir fazer uma licenciatura. Agora teremos essa formação construída para a nossa realidade e dentro do nosso território de atuação”, diz o líder indígena.
Sobre o curso, Ranielle Sousa afirma: “É muito representativo e simbólico ver a comunidade indígena ocupar de fato a Universidade, que passa a ser também um território indígena. Ao mesmo tempo, o grande objetivo é fortalecer o direito à educação e formar professores dentro de seus próprios territórios”.
Segundo a diretora do ICHS, os próximos passos incluem a atualização do Projeto Pedagógico do Curso (PPC), a organização da agenda de trabalho e a publicação dos editais para seleção dos estudantes e dos professores colaboradores. A expectativa é que o processo seletivo seja realizado ainda este ano. “Vamos retomar a agenda com a comissão, o movimento indígena e os Xavantes, pensar o processo seletivo e, então, abrir a primeira turma. A previsão é iniciar as aulas no primeiro semestre de 2027”, explica Ranielle Sousa.
Os editais de seleção ainda serão publicados, segundo a UFMT. A universidade não informou datas de edital e de inscrição, nem se as 50 vagas são por turma ou totais.
Com informações da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
