O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) deflagrou na manhã desta terça-feira (20) a Operação Cathedra Venalis, com o cumprimento, por determinação judicial, de 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Segundo o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá, e a apuração tem como foco possíveis irregularidades envolvendo a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande.
De acordo com o MPMT, as medidas visam reunir novos elementos de prova para a investigação do Gaeco sobre a possível atuação de uma organização criminosa em crimes contra a Administração Pública. O órgão informa que as diligências decorrem de apuração sobre um grupo que teria se dedicado à obtenção de vantagens indevidas, cooptação de agentes públicos, práticas de corrupção e outras irregularidades. A ação mobiliza mais de 200 policiais, segundo o órgão.
O texto do MPMT não nomeia os investigados e fala em “possíveis irregularidades” e “possível atuação” de organização criminosa. Não há menção a denúncia, prisão ou afastamento de cargo. A fase é de investigação, e os citados têm direito à presunção de inocência.
Em nota à imprensa reproduzida na íntegra pelo Olhar Direto e em trechos pelo RepórterMT, a Câmara Municipal de Cuiabá afirmou que acompanha os desdobramentos da operação e as informações sobre o possível envolvimento de dois vereadores da Capital, sem nomeá-los. “A instituição ressalta que eventuais condutas individuais devem ser apuradas pelas autoridades competentes e não representam o posicionamento ou a atuação institucional do Legislativo cuiabano”, diz o texto publicado pelo Olhar Direto.
O vereador de Cuiabá Ilde Taques (Podemos) confirmou o cumprimento de mandado de busca e apreensão em nota assinada pelo advogado Eduardo Mahon e reproduzida pelo Olhar Direto. “O vereador Ilde Taques informa que recebeu com tranquilidade o cumprimento de mandado de busca e apreensão na manhã de hoje (20), tendo colaborado com o trabalho das autoridades, que não encontraram qualquer elemento que o relacione com atividades irregulares”, diz a nota. O Olhar Direto registrou que a afirmação de que nada foi encontrado é da defesa e não havia sido confirmada pelo MPMT até a publicação daquela reportagem. A defesa acrescenta: “Afirma de forma enfática que não tem qualquer relação com articulações políticas muito menos ilegais sobre a eleição da mesa diretora da Câmara de Várzea Grande.”
O vereador Alex Rodrigues (Podemos), também de Cuiabá, comentou a busca em declarações à imprensa publicadas pelo Olhar Direto. “Foram lá, vasculharam tudo, olharam tudo e a única coisa relevante que pediram para levar foi o meu celular”, afirmou. “Eles acharam por bem realizar essa investigação. Vamos colaborar e vamos limpar nosso nome”, disse.
Presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB) confirmou à imprensa o cumprimento de mandado em seu escritório e negou buscas na residência e no gabinete, segundo o RepórterMT. “Não teve operação na minha casa”, afirmou. “Eu desconheço a operação e eu acho muito estranho”, declarou. Até a última checagem do Registro do Dia, por volta das 10h40 (horário de Mato Grosso), a Câmara de Várzea Grande não havia publicado nota sobre a operação em seu site.
O comunicado do MPMT não identifica o juízo que expediu os mandados, não detalha o que foi apreendido e não descreve a conduta individual de nenhum investigado.
O espaço segue aberto aos demais investigados.
Com informações do MPMT, do Olhar Direto e do RepórterMT.
