Sorriso registrou 106 acidentes envolvendo bicicletas em 2025, e a maioria envolveu bicicletas elétricas conduzidas por adolescentes de 14 a 16 anos. O dado é do 5º Batalhão de Bombeiros Militar e foi divulgado pela Prefeitura ao anunciar um aulão sobre condução de veículos elétricos e ciclomotores, previsto para outubro.
“Em grande parte das situações transitavam sem itens de segurança em especial o capacete e devido à gravidade dos ferimentos como fraturas expostas, foram transportados ao Hospital Regional”, disse o capitão Thiago Soares Reis, do 5º Batalhão.
O aulão será teórico e prático, voltado a pais e a adolescentes proprietários de veículos elétricos e ciclomotores, e é organizado pela Guarda Municipal de Trânsito, ligada à Secretaria de Segurança Pública, Trânsito e Defesa Civil, em parceria com o Legislativo, a Polícia Militar, o Detran, o Conselho Tutelar e o Corpo de Bombeiros.
“Temos observado um aumento significativo de crianças e adolescentes transitando com esses veículos e precisamos alertar sobre os riscos e regras da prática, entendemos que os ciclomotores vieram para ficar e precisamos nos adequar a eles”, afirmou o gestor da Semsep, Adriano Denardi. Segundo ele, “nosso debate é um alerta para mostrar aos adolescentes e aos pais os riscos e formas de evitar essas estatísticas”.
As regras que valem hoje são as da Resolução nº 966/2023 do Contran. Desde 1º de janeiro de 2026, habilitação e emplacamento são obrigatórios para veículos elétricos acima de 1.000 watts, que atingem mais de 32 km/h. Abaixo de 1.000 watts, a condução é permitida sem habilitação. Para conduzir ciclomotor, é exigida a CNH categoria A ou a Autorização para Conduzir Ciclomotor. Bicicletas comuns e elétricas, skates e patinetes não exigem documentação.
Para regularizar um ciclomotor, o proprietário precisa registrar e licenciar o veículo junto ao órgão de trânsito e impedir o acesso de menores de idade e de pessoas não habilitadas ao veículo.
“Nós temos recebido muitas denúncias em relação à não observância das leis de trânsito e vamos intensificar as ações de fiscalização com o intuito de evitar acidentes e diminuir riscos para condutores e pedestres”, disse o coordenador da Guarda Municipal de Trânsito, Márcio Pires. Ele acrescentou que “há sim necessidade de emplacamento desses veículos, do uso dos itens de segurança e da CNH para veículos acima de 1000 watts”.
A fiscalização, porém, esbarra num limite reconhecido pela própria Guarda: bicicletas e patinetes não exigem documento algum, e o município não tem dados sobre quantos ciclomotores e veículos elétricos circulam em Sorriso. “E justamente isso dificulta os serviços de fiscalização”, afirmou Pires.
“A educação para o trânsito é fundamental nesse processo”, disse o comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Jorge Luiz de Almeida. O vereador Wanderley Paulo defende a criação de legislação municipal própria para a circulação desses veículos, a ser construída junto com a Guarda. “Nossa intenção é preservar vidas; é o maior cuidando do menor”, disse.
A prefeitura não informou a data, o horário e o local do aulão, nem como se inscrever, informando apenas o mês. Também não disse quantos dos 106 acidentes tiveram vítimas graves ou fatais, não apresentou os números de 2026 até agora, o que impede saber se o problema piorou, não informou quantas denúncias a Guarda recebeu e quantas autuações já foram feitas, não disse se existe projeto de lei protocolado sobre o tema e não indicou o valor das multas aplicáveis.
Com informações de: Prefeitura de Sorriso.
