Operação da Polícia Civil mira núcleo financeiro de facção e atinge cerca de R$ 32 milhões em bens e ativos

Draco cumpriu mandados em Cuiabá, Várzea Grande, Santa Catarina e Rio de Janeiro; investigados respondem sem condenação.

Vista urbana de Cuiabá, em Mato Grosso
Cuiabá (MT). Foto: paulisson miura / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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A Operação Replay cumpriu mandados em Cuiabá, Várzea Grande, Santa Catarina e Rio de Janeiro; os alvos respondem como investigados, sem condenação.

A Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), da Polícia Civil de Mato Grosso, deflagrou na quinta-feira (30) a Operação Replay, voltada ao que a investigação aponta como o núcleo financeiro do Comando Vermelho. As informações são de veículos que acompanharam a operação.

Conforme essa cobertura, foram expedidos 10 mandados de prisão preventiva contra 14 investigados, além de ordens de busca, quebras de sigilo e medidas patrimoniais. Os mandados foram cumpridos em Cuiabá, Várzea Grande, Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina, e no Rio de Janeiro.

A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 15,324 milhões em ativos financeiros e o sequestro de aproximadamente R$ 17,28 milhões em imóveis e veículos. São medidas distintas: o bloqueio tem um teto autorizado, que não corresponde necessariamente ao valor efetivamente alcançado, e o sequestro recai sobre bens. Nenhuma delas transfere patrimônio ao poder público, e ambas podem ser revistas ao longo do processo.

A redação não divulga os nomes dos investigados. Todos respondem nessa condição e não há, nas reportagens consultadas, menção a denúncia oferecida ou a condenação. As prisões preventivas são medidas cautelares.

Segundo a investigação, conforme relatam os veículos, a apuração trata de lavagem de dinheiro e de uma estrutura financeira com divisão de funções dentro da organização. Um dos elementos citados é o uso do mesmo chip telefônico, atribuído à liderança do grupo, em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. A operação é descrita como desdobramento de três apurações anteriores, chamadas Apito Final, Fair Play e Tempo Extra.

Entre os presos, conforme o relato dos veículos, estão pessoas ligadas ao futebol e uma advogada. Segundo o portal FolhaMax, a defesa da advogada nega vínculo com a facção e sustenta que ela atua nas áreas criminal e cível, com comprovantes do trabalho prestado, honorários e contratos. A reportagem não localizou manifestação das defesas dos demais investigados.

De acordo com a rádio CBN Cuiabá, um dos alvos ocupava cargo de assessor parlamentar em um gabinete da Câmara Municipal de Cuiabá. A redação não obteve confirmação do vínculo junto à Câmara nem manifestação do parlamentar até o fechamento desta reportagem, e por isso não identifica o gabinete.

A reportagem não teve acesso ao comunicado oficial da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso sobre a operação — o site do órgão não respondeu às tentativas de consulta. Todos os dados sobre número de mandados, valores e cidades atendidas são atribuídos aos veículos citados ao final do texto, que cobriram a ação no dia em que ela ocorreu.

Operações desse tipo são conduzidas sob acompanhamento judicial e podem terminar em arquivamento, em denúncia ao Poder Judiciário ou em outras medidas, conforme o resultado da apuração. Nenhum dos investigados foi julgado até o momento, e decisões de primeira instância admitem recurso.

Com informações da CBN Cuiabá, do Mídia Jur e da FolhaMax.