Secretaria de Saúde de Várzea Grande cancela registros de duas fornecedoras de insumos hospitalares por falta de entrega

Decisões citam certidão de que os produtos das autorizações de fornecimento não foram entregues; o cancelamento não é penalidade, e a pasta mandou identificar os licitantes remanescentes.

Duas seringas descartáveis com agulha em embalagens estéreis lacradas
Imagem ilustrativa. Foto: Abdsomod/Wikimedia Commons (CC0)
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A Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande cancelou os registros de duas empresas nas Atas de Registro de Preços nº 69/2026 e nº 71/2026, do Pregão Eletrônico nº 05/2026, que registra preços para a futura e eventual aquisição de materiais e insumos médicos hospitalares. As decisões são de terça-feira (13), e os avisos de cancelamento, de sexta-feira (16). Os documentos foram publicados na segunda-feira (19) no site da Prefeitura, e os avisos saíram no mesmo dia no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios do Estado de Mato Grosso.

A Ata 69 é da PLENNA Comércio e Distribuição de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda., com sede em Aparecida de Goiânia (GO), segundo a ata. A Ata 71 é da PCMFARMA Produtos Médico Hospitalar Ltda. Os avisos tornam público o cancelamento das duas atas. Pelas decisões, o registro de cada empresa é cancelado “relativamente aos itens e saldos abrangidos pela instrução e pela presente decisão”. Os despachos, as decisões e os avisos são assinados pelo secretário municipal de Saúde interino, Michael Jhonattan Alves dos Santos.

Segundo os despachos, as duas empresas pediram o cancelamento ou a liberação de seus registros “sem aplicação de penalidades”. Os pedidos foram feitos depois da emissão das Autorizações de Fornecimento nº 892/2026 (PLENNA) e nº 890/2026 (PCMFARMA) e, no caso da Ata 69, também depois do vencimento do prazo de entrega. Os despachos registram que a Procuradoria-Geral do Município concluiu pela ausência dos pressupostos para deferir os pedidos nos termos formulados, mas reconheceu a possibilidade de cancelamento por iniciativa da Administração, com contraditório e ampla defesa. O secretário indeferiu os pedidos das empresas.

De acordo com as decisões, as empresas foram notificadas, a PLENNA em 9 de junho e a PCMFARMA em 17 de junho, e não apresentaram manifestação no prazo. Nas duas decisões, a Secretaria afirma que, “conforme informação/certidão da unidade competente juntada aos autos, não houve entrega dos produtos abrangidos pela referida Autorização de Fornecimento, situação incompatível com a manutenção do registro e capaz de comprometer a continuidade do abastecimento”. O texto diz que o cancelamento “não importa aplicação de penalidade”.

As peças para eventual apuração de responsabilidade foram enviadas à Secretaria Municipal de Administração (SAD) pelos Ofícios nº 4120/2026 e nº 4121/2026, de 10 de setembro. A Secretaria de Saúde também determinou a identificação dos licitantes remanescentes por item, a verificação de preços de mercado e eventual convocação. Se a recomposição não for possível, os autos seguem para “avaliação das demais soluções administrativas”.

No caso da Ata 69, o despacho determina ainda o levantamento dos estoques e da situação concreta do abastecimento e a análise de alternativas de abastecimento, caso não seja possível recompor o fornecimento com licitante remanescente. No caso da Ata 71, o despacho manda as unidades técnicas promoverem ou certificarem as providências para preservar a continuidade do abastecimento, inclusive estoque disponível, consumo médio mensal, cobertura dos estoques, unidades dependentes, remanejamento interno, licitantes remanescentes, atas de outros órgãos, pesquisa de mercado e avaliação de nova licitação, e afirma que eventual contratação emergencial só pode ser adotada mediante instrução própria e demonstração dos pressupostos legais.

As duas atas, datadas de 6 de março de 2026, registraram valor total de R$ 1.822.255,90 (Ata 69) e de R$ 2.696.091,00 (Ata 71). As decisões de cancelamento não informam valores.

Os despachos não dizem quais produtos deixaram de ser entregues nem o valor das Autorizações de Fornecimento nº 892/2026 e nº 890/2026. Também não informam se houve desabastecimento nas unidades de saúde nem se algum licitante remanescente já foi convocado.

Com informações da Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande e do Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios do Estado de Mato Grosso.