Prefeitura de Cuiabá paga R$ 14,9 milhões ao transporte escolar rural e diz ter zerado atrasos

Valor cobre serviços de abril a agosto; a mesma publicação oficial diz "mais de quatro anos" de atraso no texto e "mais de três anos" na fala do secretário.

Prefeitura de Cuiabá paga R$ 14,9 milhões ao transporte escolar rural e diz ter zerado atrasos
Transporte escolar rural em Cuiabá — Prefeitura de Cuiabá
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A Prefeitura de Cuiabá pagou R$ 14.937.591,43 às empresas que operam o transporte escolar rural, referentes aos serviços prestados entre abril e agosto. A situação foi regularizada na sexta-feira (21), segundo a Secretaria Municipal de Educação.

O serviço é totalmente terceirizado e executado pelas empresas Integração, Expresso Caribus e Alternativa. São 145 rotas, atendendo as redes municipal e estadual, com percurso médio de 240 mil quilômetros por mês, nos períodos matutino, vespertino e, em algumas localidades, noturno. O investimento informado é de aproximadamente R$ 3 milhões por mês, com exceção de julho, quando o valor é menor por causa do recesso escolar.

O secretário municipal de Educação, Reginaldo Teixeira, afirmou: “Fizemos uma força-tarefa, cortando gastos para colocar em dia o pagamento, sendo R$ 14.937.591,43”.

Dois números diferentes na mesma publicação

Há um ponto que merece registro. O corpo do texto oficial afirma que os atrasos duravam “mais de quatro anos”. Já a fala do secretário, na mesma publicação, menciona “mais de três anos” de valores fracionados e inferiores ao contratado.

São dois períodos distintos no mesmo documento. Esta reportagem não escolhe entre eles nem apresenta um como correto — registra a divergência e solicitará esclarecimento à Secretaria.

Pelo mesmo motivo de cautela, o restante da declaração do secretário — sobre o histórico de pagamentos fracionados e sobre determinação do prefeito Abilio Brunini para manter em dia as despesas correntes de transporte e alimentação — é aqui reproduzido como paráfrase, e não entre aspas, porque não foi possível confirmar a literalidade integral do trecho.

O que a Prefeitura não informou

A divulgação não informa quantos estudantes são atendidos — refere-se genericamente a “milhares”.

Também não constam os números dos contratos com as três empresas, os valores individuais de cada uma, quanto do total pago corresponde a cada mês, nem se havia juros, multas ou correção sobre os valores atrasados.

Não se informa quais gastos foram cortados na “força-tarefa” mencionada pelo secretário, se restam parcelas em aberto de períodos anteriores a abril, nem como as 145 rotas se dividem entre rede municipal e estadual — dado que importa porque define quem custeia cada parte.

O último parágrafo da publicação traz a manifestação de “um dos empresários que atuam no transporte escolar rural”, sem nome nem empresa. Por não haver identificação, esta reportagem não reproduz essa fala.

Registre-se, por transparência de método: R$ 3 milhões mensais ao longo de cinco meses resultariam em R$ 15 milhões, próximo do valor pago. Esse cálculo é desta redação, e não da Prefeitura — e é apenas aproximado, já que a própria fonte informa que julho tem valor menor por causa do recesso.

Com informações de: Prefeitura Municipal de Cuiabá / Secretaria Municipal de Educação (portal oficial de notícias, 24 de agosto de 2026).