Os atendimentos do Samu decorrentes de acidentes de trânsito em Rondonópolis caíram 26,5% de janeiro a agosto de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela Prefeitura na sexta-feira (4). Foram 2.139 atendimentos neste ano, contra 2.911 no ano passado, uma diferença de 772 ocorrências.
Fevereiro concentrou a maior queda: 420 ocorrências em 2025 contra 143 em 2026. Em março, foram 496 em 2025 e 266 em 2026.
Cabe uma precisão sobre o dado. O número se refere a atendimentos prestados pelo Samu em razão de acidentes, e não ao total de acidentes registrados no município. O próprio título do comunicado oficial fala em redução no número de acidentes, mas o corpo do texto trata de atendimentos.
Em recorte diferente, de janeiro a junho, o município informa que as mortes no trânsito caíram de 31 no primeiro semestre de 2025 para 24 no mesmo período de 2026, redução de 22,58%. Os acidentes com vítimas lesionadas passaram de 651 para 566 registros, queda de 13,06%. Houve um pico atípico em janeiro de 2026, com 10 mortes, e redução para 2 óbitos por mês em maio e em junho. Esses dados vêm do cruzamento das bases do Sinesp e do Observatório de Segurança da Sesp-MT, e não do Samu.
A prefeitura associa a queda ao Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público de Mato Grosso, a partir do qual o município passou a atuar no aperfeiçoamento contínuo da engenharia de tráfego, com modernização da sinalização viária, intensificação de fiscalizações ostensivas e campanhas educativas. O comunicado não apresenta estudo que comprove a relação de causa entre o acordo e a redução.
O TAC foi assinado em ato simbólico realizado em 29 de abril de 2025, no Tribunal do Júri do Fórum de Rondonópolis, e prevê obrigações como implantação de pátio de apreensão e guarda de veículos, serviços de remoção, fiscalização eletrônica, readequação semafórica, melhoria da sinalização vertical e horizontal e projetos de educação de trânsito. O acordo nasceu de procedimento administrativo instaurado em 2023 pela promotora de Justiça Joana Maria Bortoni Ninis, da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Rondonópolis, com notificação recomendatória enviada à prefeitura em 12 de fevereiro de 2025. A fiscalização eletrônica prevista no termo começou a valer em 23 de fevereiro de 2026, com dez pontos: cinco radares fixos, quatro avanços semafóricos com radar de velocidade e uma lombada eletrônica.
O secretário municipal de Mobilidade Urbana, Thales Tatí, avalia os dados como positivos e afirma ser necessário melhorar essa realidade, conforme descreve a prefeitura. O comunicado é redigido em terceira pessoa e não traz nenhuma declaração entre aspas.
A prefeitura não informou a data da assinatura formal do TAC, apenas a do ato simbólico, não divulgou o número do procedimento no Ministério Público, não explicou por que o recorte de atendimentos é de oito meses e o de mortes é de seis, não apresentou os dados mês a mês completos e não informou se os números incluem apenas ocorrências na zona urbana ou também em rodovias. Também não há informação sobre multas aplicadas, arrecadação com os radares ou investimento realizado.
Com informações de: Prefeitura de Rondonópolis.
